Ser Maçom todos os dias: reflexões sobre o recesso

A Maçonaria não é apenas uma Ordem; é um estilo de vida. Suas lições não se encerram nos Templos ou nas sessões, mas se manifestam na conduta diária de cada Irmão. No período de recesso, tive a oportunidade de colocar em prática os ensinamentos que a Maçonaria me proporciona, demonstrando que, mesmo longe dos rituais e dos encontros formais, ser maçom é uma prática contínua e cotidiana.

Este período foi, no entanto, marcado por momentos de profunda reflexão e fraternidade diante da dor. Tivemos a infelicidade de conviver com o luto de alguns Irmãos que tiveram entes queridos que partiram para o Oriente Eterno, o que nos trouxe a oportunidade de demonstrar, na prática, a verdadeira essência da solidariedade maçônica. Mesmo sem poder estar presente a cada cerimônia de despedida, cada palavra de conforto às famílias e cada gesto de união entre os Irmãos reforçou a importância de estarmos juntos nos momentos de alegria e de tristeza. Honrar a memória daqueles que nos deixaram é também um ato de lapidação interior, uma forma de perpetuar os ensinamentos que eles nos transmitiram e que agora carregamos em seus nomes.

Durante esse período, empenhei-me em viver de acordo com os princípios fundamentais da Ordem: justiça, retidão, solidariedade e amor ao próximo. Tive a honra de contribuir em ações sociais voltadas para os menos favorecidos da minha comunidade. Ao auxiliar famílias carentes com alimentos, roupas e palavras de esperança, procurei demonstrar que o verdadeiro maçom reconhece o sofrimento alheio e age para mitigá-lo. Esse gesto, embora simples, reflete a essência do trabalho maçônico: ser uma pedra bruta em lapidação que auxilia outras pedras em seu aperfeiçoamento.

No campo familiar, mantive a prática do respeito, da compreensão e do diálogo fraterno. Cada interação com meus entes queridos foi uma oportunidade de aplicar os valores da tolerância e do entendimento mútuo. Como nos ensina a Maçonaria, o lar é um pequeno templo onde exercitamos a harmonia e construímos alicerces para uma sociedade mais justa.

Profissionalmente, busquei agir com ética, retidão e compromisso. Em cada decisão, perguntei-me se estava sendo fiel aos preceitos maçônicos e se minha conduta seria digna do avental que carrego. Agir com integridade, mesmo quando ninguém está observando, é um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma das mais nobres demonstrações do que é ser um maçom.

Além disso, dediquei-me à introspecção e ao estudo, revisitando os ensinamentos da Ordem. O recesso proporcionou um momento para refletir sobre meus erros e acertos, buscando formas de aprimorar-me como homem, como cidadão e como maçom. Revisitei os textos simbólicos, meditei sobre os ensinamentos do Compasso e do Esquadro e procurei alinhar minhas ações às virtudes que eles representam.

Entretanto, não posso deixar de mencionar a saudade que senti dos encontros com os Irmãos em loja, especialmente das nossas tradicionais segundas. Há algo único e especial na energia fraterna que compartilhamos durante as reuniões, nos rituais e nas conversas informais. É nessas ocasiões que renovamos nosso espírito e fortalecemos os laços que nos unem como verdadeiros Irmãos. Essa ausência, ainda que breve, fez-me valorizar ainda mais o privilégio de fazer parte dessa Fraternidade.

Por fim, o recesso foi um período de reafirmação do compromisso com a Fraternidade. Mesmo longe dos encontros formais, mantive contato com Irmãos, trocando ideias, fortalecendo laços e planejando ações futuras. Esse vínculo contínuo demonstra que a verdadeira Maçonaria está em nossos corações e em nossas atitudes, independentemente do local ou da ocasião.

Em suma, o recesso me permitiu reafirmar que ser maçom é um exercício diário de lapidar-se e contribuir para o bem comum. Cada gesto de bondade, cada palavra de conforto e cada atitude ética são demonstrações de que a Maçonaria está viva em mim, mesmo nos momentos de pausa. Afinal, somos maçons todos os dias, e cada dia é uma oportunidade de honrar os princípios da nossa Ordem.

Vinicius P. Candido

Mestre Maçom da A∴R∴L∴S∴ "Deus, Pátria e Família" Nº154, do Oriente de Corinto e jurisdicionada à GLMMG.

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