DEUS POTHOS

Uma das instruções mais difíceis e de real compreensão na Maçonaria é o simbolismo do deus Pothos. E isso é tão flagrante que provavelmente o Irmão pensou: “Nunca ouvi falar desse deus nos estudos maçônicos”. Pois é!

Há duas realidades, nas quais, por várias vezes, torno-me renitente. A primeira é que nada se faz na Maçonaria que não haja motivo, e a segunda são os “Fios de Ariadne”, expressões e palavras soltas nas instruções que aparecem como supostas ilustrações ou simples citações. No entanto, tais expressões estão ali para provocar no atento “eterno aprendiz” o desejo de querer ir mais longe, que, na verdade, deve ser querer ir a fundo, pois o VITRIOL não está distante, está mais abrigado. 

Teogonia é a compilação das narrativas dos deuses e heróis da mitologia grega, e nela encontramos Pothos, um dos quatro filhos da deusa do amor e da beleza, a quem chamamos Afrodite, sendo à sua equivalente romana, a deusa Vênus.

Pothos encarna o princípio da mudança, ao passo que entende que a unidade só tem valor pelo conjunto. O 1 será e terá sempre o valor de 1, porém o quão possibilitador de variantes ao somar-se a si mesmo (1+1) e além, diante das dualidades (2), transforma o binário nos ternários (2+1), tão caros aos estudos maçônicos.

A beleza, a força e a sabedoria do 1 estão na compreensão de que, no PRINCÍPIO do Mundo, disse o PRINCÍPIO Criador: “Faça-se a Luz!”.

A beleza, a força e a sabedoria do 1 estão na compreensão que, no INÍCIO do Mundo, disse o INÍCIO Criador: “Faça-se a Luz!”.

A beleza, a força e a sabedoria do 1 estão na compreensão de que, no momento UNO do Mundo, disse o UNO Criador: “Faça-se a Luz!”.

A Luz foi feita e dada à humanidade, a qual, neste momento, já não se encontra mais nas trevas da ignorância ou pelo menos ANSEIA, tem a ASPIRAÇÃO à mudança, a galgar novos níveis de conhecimento.

A palavra Pothos deriva do grego Πόθος, que se traduZ como “anseio”, “desejo” e “aspiração”, ultrapassando todo o envolvimento carnal das relações amorosas, as quais sofrem influência dos outros três filhos de Afrodite.

Ao Aprendiz e a todos nós, em âmbito alegórico, o deus Pothos deve influenciar o entendimento de que, na teoria, o que podemos considerar como algo absoluto é passível de reflexão e transformação, chegando, assim, ao concreto, ou seja, à realidade da vida.

Somos MAÇONS ESPECULATIVOS! A boa ânsia, pautada no UM passo de cada vez, nos fortalece diante dos fatídicos contrários, da dúvida e do desequilíbrio. O desejo de ir em frente, UM passo de cada vez, nos traz a estabilidade de um tripé.

Esse tripé se consolida quando compreendemos que o PRINCÍPIO não nos deu a Luz, mas sim FOGO, CHAMA, CALOR. Ou posso dizer que a vela da vida se consubstancia em ANSEIO, DESEJO, ASPIRAÇÃO?

O PRINCÍPIO DA VELA É, PRIMEIRO, ILUMINAR-SE.

Neste 19º ano de compartilhamento dos artigos dominicais, reafirmo o desejo de independente de graus, cargos ou títulos, continuar servindo os Irmãos com propostas para o Quarto-de-Hora-de-Estudo. Uma lauda para leitura em 5 minutos e 10 minutos para as devidas complementações e salutares questionamentos.

O exíguo tempo é um exercício de objetividade e pragmatismo que visa otimizar os trabalhos e cumprir integralmente o ritual.
Convosco na Fé - Robur et Furor
Fraternalmente

Sérgio Quirino
Minas Gerais Shrine Club
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