Benito Juárez e a Maçonaria: Um Legado de Liberdade e Progresso
Benito Juárez, um dos mais importantes estadistas da história do México, foi também um fervoroso maçom, pertencente ao Rito Nacional Mexicano. Detentor do 9º Grau, equivalente ao 33º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito, Juárez tornou-se um símbolo venerado pela Maçonaria, inspirando lojas e órgãos filosóficos ao longo dos tempos. Em 2006, os maçons mexicanos celebraram o bicentenário de seu nascimento, reconhecendo sua contribuição para a emancipação política e espiritual do México.
A Maçonaria sempre valorizou a formação espiritual do homem e promoveu a busca por uma conexão mais profunda com o divino. Seus ritos e graus reconhecem a existência de Deus, exigindo de seus membros um compromisso com princípios elevados. No México, a Maçonaria jamais se posicionou contra qualquer religião, mas defendeu a liberdade de consciência contra a opressão promovida por setores clericais que buscavam manter o poder político e econômico. Foi nesse contexto que Juárez e seus contemporâneos da Reforma Liberal atuaram para estabelecer um Estado laico e modernizar a sociedade mexicana.
Juárez e a Maçonaria na Reforma Liberal
A presença de Benito Juárez na Maçonaria está bem documentada, embora as informações sobre sua iniciação variem. Algumas fontes indicam que ele foi iniciado em 15 de janeiro de 1847, na Loja "Independência" Nº. 2, na Cidade do México, enquanto outras sugerem que sua iniciação ocorreu na Loja "Espelho das Virtudes", em Oaxaca, por volta de 1833 ou 1834. De qualquer forma, Juárez se destacou como um maçom ativo, chegando a ser Venerável Mestre e adotando o nome simbólico de "Guillermo Tell", em referência ao herói suíço defensor das liberdades nacionais.
A Maçonaria teve um papel fundamental na história política do México após a independência em 1821. Inicialmente, houve uma divisão entre os maçons do Rito Escocês, que defendiam um governo centralista, e os do Rito de York, que promoviam o federalismo. Com o tempo, ambas as facções se uniram no Rito Nacional Mexicano, criado em 1825, o qual se tornou um pilar da luta liberal contra o autoritarismo clerical. Juárez e outros reformistas utilizaram essa plataforma para consolidar um governo baseado na liberdade, igualdade e separação entre Igreja e Estado.
O Legado de Juárez
Juárez nasceu em Guelatao, Oaxaca, em 21 de março de 1806, em um contexto de desigualdade social extrema. De origem indígena, superou adversidades para se tornar advogado, magistrado, governador de Oaxaca e, finalmente, presidente da República. Durante seu mandato, enfrentou desafios colossais, incluindo a intervenção francesa de Napoleão III e a imposição do imperador Maximiliano de Habsburgo. Sua resistência e liderança garantiram a continuidade da República Mexicana e a consolidação das Leis de Reforma, que estabeleceram bases para um Estado moderno e secular.
Juárez não se opunha ao cristianismo ou à fé do povo mexicano, mas combatia a influência política e econômica da Igreja sobre o Estado. A separação entre Igreja e Estado, a educação laica e a nacionalização dos bens eclesiásticos foram medidas fundamentais para garantir a liberdade de consciência e o progresso do país. Seu lema, "Entre os indivíduos e as nações, o respeito aos direitos dos outros é a paz", continua sendo um princípio fundamental da política mexicana.
A Reverência Maçônica a Juárez
O papel de Juárez na Maçonaria e na história do México é amplamente reconhecido. Em 1871, recebeu o Diploma de Grande Inspetor Geral do Rito Escocês Antigo e Aceito do Conselho Supremo da Espanha e foi declarado membro honorário da Maçonaria Francesa. Durante as comemorações do bicentenário de seu nascimento, em 2006, sua memória foi celebrada por diversas organizações maçônicas e governos latino-americanos.
O exemplo de Juárez serve como referência para os maçons e para todos aqueles que lutam pela liberdade e pela justiça. Seu compromisso com os princípios maçônicos e sua dedicação à construção de um país mais justo e igualitário fazem dele um dos maiores ícones da Maçonaria e da história universal.
Luiz Sergio Castro