A cadeia de um Templo Maçônico
Sabemos que a Cadeia que circunda o friso do nosso templo simboliza a união dos irmãos espalhados pelo mundo.
Assim é explicado em geral, seu significado que é amplamente verdadeiro.
Temos notícias históricas desta Cadeia ou União de Maçons desde o ano de 1249, em diante, quando se formou a primeira irmandade de maçons na cidade de Colônia por Alberto, o Grande.
No entanto, esses maçons unidos ou congregados existiam desde a antiguidade com os nomes de Agrimensores ou Talhadores de Pedra, Construtores e Arquitetos, sucessivamente. Embora seja verdade que no Egito pertenciam à Casta sacerdotal, que era uma casta privilegiada, não é menos verdade que na Idade Média formavam os indivíduos livres ou independentes por suas profissões; pois, as outras profissões sofreram a escravidão dos senhorios.
Devido às palavras ou termos usados para nomear suas ferramentas, bem como os sinais de suas especialidades em construções, era fácil para eles se reconhecerem e, portanto, se reunirem. E quem sabe se os antigos construtores não se tocavam especialmente, quando não tinham a mesma língua para se entender, ao mesmo tempo que se reconheciam?
O beijo que Judas Iscariotes, apóstolo de Cristo, deu a este, não seria uma forma especial de tocar e dar a entender um julgamento bem determinado?
Incontáveis considerações fazem entender que tais indivíduos, sem distinção de religiões ou de credos políticos, tiveram que se igualar mais ou menos em sua profissão, a princípio por causa de suas palavras e sinais, e só depois, quando já estavam bem instruídos, por formas especiais de se tocar. E todos juntos formaram uma cadeia que talvez seria cortada para substituir um elo já fraco, ou para adicionar novos.
É costume entre nós formar a Cadeia de União na maioria das nossas sessões; no entanto, existem outras lojas, como as alemãs, onde é feita uma ou duas vezes a cada seis meses. No meu entendimento, representa simbolicamente o mesmo e algo mais do que a Cadeia que envolve o friso. Simboliza os maçons unidos pelas mesmas ideias, animados pelos mesmos trabalhos e guiados para os mesmos fins na regeneração da espécie humana.
Simboliza também, a igualdade, a fraternidade, a harmonia, a união mais pura e até a alegria saturada do bom afeto que une os maçons, alegria que aumenta com a satisfação com que se terminam os trabalhos.
Um dos filósofos mais antigos, Heráclito (800 anos A. J.), dizia: “Nada é, mas tudo se torna”.
Esta frase notável e histórica a explicava por meio do encadeamento ou sucessão do particular para constituir o geral. Aquilo, o particular, o isolado, era o princípio da frase: "Nada é", e isso, o conjunto, o encadeamento do particular, era a segunda parte de sua frase: "tudo se torna". Depois, os filósofos ingleses e, em geral, os de origem saxônica, levaram este princípio de união, ao mesmo tempo em que atraem tudo o que existe de concreto no mundo.
Assim, os planetas, estrelas e astros de acordo com as teorias modernas e contemporâneas se sustentam no éter (fluido imponderável e elástico que enche todos os corpos), os quais, movendo-se no sentido rotativo ou na tradução com tanta precisão e maravilha que qualquer um imagina o grande cataclismo que ocorreria se faltasse essa concordância ou força de atração mútua exposta na "Lei da Gravitação Universal".
Já sabemos que existem alguns astros maiores que outros, assim como no número de elos de uma cadeia, existem alguns de massa desigual.
E já que se trata de número, estes não formam uma Cadeia curiosa, sabiamente exposta por Pitágoras há 2428 anos? Também nos elos, ou números, deste ilustre filósofo e matemático há alguns que são de importância capital: 1, 2, 3 e 4; pois todos os outros são formados por estes.
Famosa é sua Abade 12/34, começo, progressão dupla e tripla. A monada ou unidade, que carece de multiplicidade é o criado, princípio de todas as coisas: é Deus.
O binário representa o criado, a matéria que passa de um estado para outro, como da vida para a morte.
Nesta matéria pode ou não pousar o espírito, (monada). O ternário reúne o espírito à matéria e ao ato: é conservador e destrutivo.
O quaternário é a chave de todos os outros números, representa os quatro elementos e é o número do Mestre Perfeito. Dos formados por estes, o 5, o 7 e o 9 têm importância para nós. Por exemplo, o cinco, formado por 4 + 1, representa os quatro elementos da natureza e o produto, um, tirado deles, é a quintessência.
Assim como vários animais de grau médio e inferior de organização se unem para viver em forma de cadeia porque assim são mais fortes contra seus inimigos e até mesmo a alimentação de um serve a todos os outros, assim os maçons unidos se tornam fortes, vigorosos e em nossa ajuda de irmãos realizamos obras dignas de ser imitadas.
Estejamos unidos e busquemos elos dignos de figurar em nossa Cadeia que é mais preciosa que o ouro, mais poderosa do que qualquer alavanca, mais sábia do que qualquer filósofo, mais pura, clara e transparente do que qualquer cristal e mais suave que a seda mais valiosa.
Quanto mais preparados, ativos e frutíferos forem seus elos, mais valor terá nossa Cadeia.
A. H.
Loja Nº 41
Fonte: Revista Maçônica de Chile
Ano V, Julho 1928, Número 50
Santiago-Chile
Tradução livre feita por: Juarez de Oliveira Castro