Se você não puder colher, plante

 

 

Jamais devemos desistir diante das dificuldades. A Maçonaria nos diz que somente com as dificuldades e a luta constante é que conseguiremos por termo a paz da consciência. 

Lembra-nos uma das viagens realizada na iniciação em que ouvimos o “entrechocar de espadas” representando o perigo que encontraremos para sairmos vitoriosos no combate às paixões e no aperfeiçoamento de nossos costumes. 

Lembra-nos, também, que a perseverança e a constância nas lutas contra os vícios do mundo nos levarão, sempre, a ter um final de uma vida bem melhor. 

Quando era criança, vivendo na minha terra natal, Fortaleza-Ceará, havia uma propaganda da Loteria Estadual do Ceará que dizia: “Insista, persista, não desista que um dia a sorte lhe chegará”. Tem um grande significado a propaganda. Não devemos jamais desistir do caminho do bem.

Há um ditado árabe que diz que “quem planta tâmaras, não colhe tâmaras” e ele nos deixa uma grande reflexão. Sublinho que o provérbio tem sentido porque antigamente as tamareiras levavam de 80 a 100 anos para produzir frutos. Claro que hoje com as técnicas modernas com cinco (5) anos já temos tâmaras. Mas, o que interessa nesta apresentação é que um senhor de certa idade plantava tâmaras no deserto quando um jovem o abordou perguntando: “Mas, por que o senhor perde tempo plantando o que não vai colher”. E, aí, vem uma resposta sábia do senhor plantador: “Se todos pensassem como você, ninguém colheria tâmaras”

Aí está o que devemos fazer: vamos plantar não importando se vamos colher. Vamos fazer o bem não importando a quem. O importante é aquilo que vamos deixar. Aquilo que vamos construir e plantar as ações que não serão para mim, ou apenas para mim, mas que possam servir para todos e para o futuro. Se não temos o que colher, então vamos plantar para o futuro. 

E a Maçonaria faz isso constantemente para todos, planta as boas sementes da sabedoria nos homens para, preparando-os para a vida, e colocando estes homens no meio da sociedade, para colher o que há de melhor para o bem da humanidade através do culto à virtude contribuindo com o trabalho para liberdade e fraternidade social. 

Finalizo com a parábola do semeador citado em Mateus, 13: “- Certo homem saiu para semear. Enquanto semeava, uma parte das sementes caiu à beira do caminho e os pássaros vieram e as comeram. Outra parte caiu no meio de pedras, onde havia pouca terra. Essas sementes brotaram depressa, pois a terra não era funda, mas, quando o sol apareceu, elas secaram, pois não tinham raízes. Outra parte das sementes caiu no meio de espinhos, os quais cresceram e as sufocaram. Uma outra parte ainda caiu em terra boa e deu frutos, produzindo 30, 60 e até mesmo 100 vezes mais do que tinha sido plantado. Quem pode ouvir, ouça”.

Vamos plantar não importando se vamos colher, e se nossas sementes caírem em terra boa e derem frutos, estaremos fazendo o bem. E como semeador constante, vamos semear as nossas sementes do bem.

 

Juarez de Oliveira Castro

Mestre Maçom (Instalado) da Loja "Alferes Tiradentes" Nº 20

Sob a obediência da M∴R∴G∴L∴S∴C∴

Florianópolis-Santa Catarina